terça-feira, 16 de julho de 2013

Reflexão

O adulto não volta para a escola para aprender o que deveria ter aprendido quando criança. 
Para além do legítimo desejo de reconhecimento social, ele busca a escola para aprender conhecimentos importantes no momento atual de sua vida, conhecimentos que lhe permitam “desenvolver e constituir conhecimentos, habilidades, competências e valores que transcendam os espaços formais da escolaridade e conduzam à realização de si e ao reconhecimento do outro como sujeito”. 
(Parecer CNE 11/2000)


Sugestões de Textos

Abaixo alguns textos que possibilitam  trabalhar a leitura, escrita, entendimento ou o que estiver no perfil da sua turma de alunos do EJA. Infelizmente não tenho os nomes dos autores, pois são textos que retirei de pesquisas na internet com a finalidade de encontrar escritos condizentes para trabalhar em sala com meus alunos. Tiramos grande proveito tanto na aprendizagem, quanto compreensão, interpretação, reflexão, identificação, conhecimento, discussão e interação dos alunos.










sábado, 13 de julho de 2013

Nível de escrita - Silábico


Hipótese silábica: nível de escrita na qual  o aluno começa estabelecer relações entre o contexto sonoro da linguagem e o contexto gráfico do registro. Sua estratégia é a de atribuir a cada letra ou marca escrita (uma letra) o registro de uma sílaba falada, pois começa a perceber que a grafia representa partes sonoras da fala. No entanto, ainda enxerta letras no meio ou final das palavras por acreditar que, assim, está escrevendo corretamente. Nessa fase, seu maior conflito são as palavras monossílabas - para ele é necessário um número mínimo de letras para cada palavra.


EXEMPLO DE ATIVIDADES







quarta-feira, 10 de julho de 2013

Não trate alunos de EJA como crianças

Pessoas com mais de 15 anos - mesmo na condição de alunos - não são crianças crescidas. Da mesma forma que, no trabalho, um senhor de 50 anos não ouve do chefe "Vamos fazer um relatório bem bonitinho", ele não deve vivenciar situações como essa na escola.
O trato infantilizado é um dos motivos da evasão nas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) e nasce com a ideia equivocada de que se deve dar ao estudante, jovem ou adulto, o que ele não teve quando criança. Por causa disso, é preciso também mudar a abordagem e, muitas vezes, o conteúdo. Trabalhar com material didático infantil sem levar em conta as expectativas de aprendizagem e os conhecimentos prévios é um equívoco com a mesma raiz.
A EJA tem de ser encarada como um atendimento específico, que pede um currículo próprio. Só assim o grupo vai aprender e tomar consciência do que está fazendo. Se o educador quiser abordar a origem do ser humano, deve tratar o tema de forma adulta, com respeito à diversidade religiosa - sem se desviar das propostas curriculares - e aprofundar a discussão científica, mais do que faria numa turma de crianças.
E, embora a necessidade de respeito à vivência prévia valha para todos os alunos, seja lá qual for a idade deles, no caso de jovens e adultos essa é mais uma premissa fundamental. Cantigas e parlendas - usadas na alfabetização dos pequenos - podem ser substituídas por poesias, mais apropriadas para os leitores mais velhos.

Editado por Beatriz Vichessi 


Alunos do Movimento de Educação de Jovens e Adultos (MOVA) - São Mateus

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Compartilhamento de atividade


OLÁ,

ESSA FOI UMA SEQUÊNCIA DIDÁTICA QUE PROPUS PARA MINHA TURMA DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS, COLOQUEI DETALHADAMENTE O PROCESSO PARA QUE A COMPREENSÃO SEJA DE MANEIRA MINUCIOSA.
A ATIVIDADE DEVE SER APLICADA CONFORME O PERFIL DE SUA SALA, POIS CABE O OLHAR DO EDUCADOR PARA DIZER O QUE É CONDIZENTE AOS SEUS ALUNOS.
LEIA O TEXTO NA ÍNTEGRA, POIS FIZ OBSERVAÇÕES QUE CONSIDERO IMPORTANTE PARA UMA MEDIAÇÃO SIGNIFICATIVA, E PENSANDO NO QUE TAMBÉM POSSO COLABORAR COM O TRABALHO DE EDUCAÇÃO DE ADULTOS.

APROVEITEM !

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ORDEM ALFABÉTICA E SUA IMPORTÂNCIA 
NA SALA DE AULA E NO CONTEXTO SOCIAL

A ATIVIDADE ABRANGE TODOS OS NÍVEIS DE CONHECIMENTO ESCRITO EM SALA DE AULA, PORTANTO É NECESSÁRIO QUE O PROFESSOR FAÇA UMA MEDIAÇÃO MAIS EFETIVA E BUSQUE A ATENÇÃO DE TODOS, SEM EXCLUSÃO, TANTO AGUÇANDO AS REFLEXÕES, OS QUESTIONAMENTOS E A PARTICIPAÇÃO ORAL.


1º MOMENTO – Reflexão e diálogo sobre o tema ...............................................

Objetivo: Fazer o levantamento oralmente do que os alunos já conhecem e percebem sobre a sequência  alfabética no contexto social que interagem. Promover a discussão e reflexão para que todos possam compreender e acompanhar a proposta da aula.

- Questionar os alunos quanto ao conhecimento que tem sobre a ordem do alfabeto / Se todos sabem essa ordem e conhecem as letras / O porquê todos aprendem dessa maneira há muitos anos / Em que lugares já observaram essa ordem/ Se já se perguntaram ou pensaram qual a importância disso na vida.

(Com essas questões levantadas é interessante o professor estar atento para o que os alunos estão dizendo, pois é a partir daí que podem surgir a sequência ou abordagem para realização/criação de atividades.)

OBS: Não são somente os alunos que falam, é muito importante que o professor alie a fala dos alunos com a proposta de aula.


2º MOMENTO – Materialização do que foi discutido ...........................................

Objetivo: Aproveitamento do que foi discutido e pensado sobre o tema e colocar em prática para um melhor entendimento.

- Elaborar oralmente junto com todos da sala uma lista (de ordem aleatória) que seja de conhecimento de todos e o professor achar mais conveniente em relação à escrita também. Exemplos: lista do açougue (com nomes de carne); lista da feira (legumes, verduras, frutas); lista de material escolar (caderno, borracha, lápis, etc); lista de contas (água, luz, telefone, Iptu, etc) ; lista móveis que se tem em casa (cama, mesa, geladeira, cadeira, etc); lista da padaria (pão, leite, lanche, sorvete, etc); lista de mercado (arroz, feijão, açúcar, sal, óleo).

- Registrado na lousa os produtos que escolheram solicite que os alunos organizem em ordem alfabética a lista criada.

OBS: Antes de eles realizarem a ordem da lista, explique novamente como se dá essa sequência mostrando o alfabeto exposto na sala/ Falar demais e cobrar uma rapidez na resolução os deixarão ansiosos  e isso atrapalhará na compreensão do que está sendo feito./ Explique pausadamente para os que estão sendo alfabetizados e as vezes nem conhecem as letras./ Dê a entender com suas atitudes e comportamento a importância da atividade para todos e o respeito em esperar os demais.


3º MOMENTO – Assimilação da proposta .........................................................

Objetivo: Continuar com a atividade, mas com outra abordagem para que a assimilação possa ser mais efetiva. Além disso, você estará trabalhando com eles a construção do próprio nome, organização, coordenação, e descobrindo dificuldades que possam surgir e que não eram antes observadas pelo professor.

- Entregue a folha com o alfabeto impresso para os alunos e oriente-os com a atividade.
  Eles irão construir o nome inteiro e colar em tirinhas de cartolina.

OBS: Explique o que eles irão fazer e com que finalidade. Por exemplo: “- Vamos continuar com a proposta da ordem do alfabeto. Eu trouxe um alfabeto impresso (mostre para eles antes de distribuir) e aqui as letras estão na ordem do ABC... só que com uma repetição das letras. Por quê? Porque vocês irão construir o próprio nome inteiro letra por letra e colar nessas tirinhas de cartolina (traga as tirinhas recortadas). Feito isso nós iremos construir uma lista com o nome de vocês em ordem alfabética.”



4º MOMENTO – Continuação das fichas com os nomes .........................................

Objetivo: Continuar com a atividade, e retomar o processo da ordem sequencial do alfabeto.

- Após todos terem construído e colado o nome nas fichas (faça suas observações – como: separação entre uma palavra e outra, dificuldades que surgiram, o que eles perceberam, enfim, suas inferências como professor/mediador)

- Agora com uma cartolina fixada na lousa ou em um local que todos possam ver / Organize junto com eles a lista em ordem alfabética./ Questione-os sobre qual a primeira letra do alfabeto e qual dos colegas o nome começa com aquela letra peça ao aluno para colar sua ficha no cartaz e prossiga sucessivamente.

OBS: Finalizada a lista com o nome de todos, chame-os a atenção para observarem o cartaz e como eles a organizaram e para qual utilidade teria na sala de aula. (Daí você, professor, pode pensar de antemão qual o objetivo para produção daquele cartaz, ou seja, de que maneira você e a turma pode fazer uso dele em outras ocasiões.)


ESTA SUGESTÃO DE SEQUÊNCIA DIDÁTICA PODE SER ESTENDIDA DURANTE UMA SEMANA ATÉ MAIS DEPENDENDO DO ANDAMENTO DOS ALUNOS, O IMPORTANTE É QUE SEJA FEITA COM CALMA E RESPEITANDO O NÍVEL DE COMPREENSÃO DE TODOS

terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O "blábláblá" do Educador


Matéria que pode ser um passo para a reflexão sobre coerência entre fala, conhecimento e atuação do educador em relação aos conceitos da pedagogia. Assim como uma oportunidade de iniciar uma pesquisa sobre determinadas expressões pedagógicas, muito ditas e pouco compreendidas, a fim de não se enquadrar aos profissionais de "Discurso Vazio".

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Discurso vazio: as expressões que poucos sabem o que significam

Algumas expressões popularizadas no meio educacional são usadas hoje com um sentido muito diferente do que tinham originalmente, mostrando que muitos educadores estão se apoiando em ideias frágeis.

A fala dos educadores brasileiros nunca esteve tão afiada. Conceitos importantes da Pedagogia e as práticas de sala de aula mais valorizadas hoje estão na ponta da língua e ajudam a definir o trabalho docente. Não é preciso estar entre grandes mestres para ouvir citações de Paulo Freire (1921-1997), como a importância de "focar a realidade do aluno" durante o planejamento, ou sobre o construtivismo - a necessidade de "levantar o conhecimento prévio" da turma.


No entanto, conforme a conversa avança, percebe-se que, na média, ela está calcada num discurso vazio. O resultado é a transformação de idéias consagradas - como formar cidadãos - em jargões que perderam o significado original. Esse conceito, difundido com a redemocratização do país, relacionava-se à necessidade de as pessoas terem um preparo que lhes permitisse atuar na sociedade - incluído aí saber ler e escrever e os demais conteúdos do currículo.


Hoje, o sentido de cidadania propagado em muitos projetos está relacionado apenas a ações de preservação ambiental ou de cunho social - como se socializar o conhecimento construído pela humanidade, ou seja, ensinar, já não fosse tarefa suficiente para a escola. "Os professores usam essas expressões sem refletir sobre elas e sem compreender em que se baseiam", ressalta Raymundo de Lima, professor do Departamento de Fundamentos da Educação da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e estudioso do discurso docente. 

Essa realidade revela, mais uma vez, a precariedade da formação dos educadores, que se ressentem por não terem um conhecimento pedagógico adequado. "Eles buscam um referencial teórico, mas, como não conseguem se aprimorar, acabam fazendo no dia-a-dia um trabalho intuitivo e equivocado", afirma Andrea Rapoport, doutora em Psicologia do Desenvolvimento pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. A conclusão é resultado de uma pesquisa realizada por ela para identificar os referenciais citados pelos docentes. "Grande parcela dos que afirmam se basear em determinadas correntes pedagógicas ou pensadores deixa o discurso cair por terra quando precisa justificar essas escolhas", analisa Andrea. 

Muitas das expressões que estão na boca dos educadores não surgiram do nada. Ao contrário, exprimem conceitos importantíssimos. Separadas dos contextos históricos e teóricos em que foram criadas, no entanto, elas acabaram sendo banalizadas. Hoje, é difícil encontrar um professor que não afirme fazer uma avaliação formativa. Porém quantos realmente sabem como ela deve ser realizada e para que servem seus resultados? 

Diante disso, a proposta desta reportagem é contribuir para colocar um fim nesse blablablá da Educação, ajudando a deixar as frases-prontas de lado e a se aprofundar no verdadeiro significado das idéias por trás delas - a princípio, tão ricas. Selecionamos dez expressões populares no Magistério atualmente e mostramos de onde elas provêm, seu sentido original e como foram distorcidas. Essa leitura é apenas um ponto de partida para o desafio, que requer muito estudo. Mas o fim do discurso vazio certamente virá acompanhado de um impacto positivo na qualidade das aulas.